Propostas

Carta ao eleitor(a) - 02/03/2008

Cara eleitora, caro eleitor italiano,

Desde criança sempre convivi com as Comunidades Italianas emigradas. Até os meus 15 anos, em Nova Bassano-RS, éramos uma grande comunidade vêneta (Vicentini/Bellunesi/Trevisani entre outros) e nossa família, de outra comunidade menor, Lombarda (Cremonesi), e sempre houve um convívio harmônico.

Depois, em Curitiba, muitos anos de estudo e formação profissional até que reencontrei a língua italiana, estudando-a a fundo até me tornar professor em 2003, pouco tempo depois de ter obtido a cidadania italiana, que ocorreu em 2001.

Com o a intensa participação nas atividades culturais e movimentos associativos, houve a oportunidade para concorrer às eleições para o COMITES em 2004, onde fui eleito com mais que o dobro de votos que imaginava receber dos eleitores do PR e SC.

Parte de minha família permanece do RS onde mantenho uma pequena propriedade rural de modo a nunca dissolver o vínculo com minhas origens. E o Carlos Henrique Iotti, candidato à senador na nossa chapa é da mesma região que a minha, motivo do nosso imediato engajamento na campanha.

Do COMITES e dos inúmeros contatos com a Comunidade Italiana do Paraná e em todo o Brasil surgiram amizades como o Itamar Benedet que sempre foi um parceiro leal, o Boscolo que conheci em uma assembléia vêneta, assim como Oscar de Bonna e, por último o Ricardo Merlo, que tem o orgulho de ser o único político italiano eleito na América Meridional em 2006, não nascido na Itália.

A proposta de um Movimento Associativo Italiani all’Estero, que envolve todo o nosso continente e com um projeto para os próximos 20 anos, vem ao encontro de todos os meus ideais e me fez aceitar de imediato o convite para participar desta eleição.

Uma chapa mista, formada por candidatos comprometidos com os italianos residentes no exterior era a que melhor se ajustava às minhas idéias a respeito da situação dos italianos aqui residentes. Por este motivo, mesmo tendo sido sondado por outra chapa, mas conhecendo o Deputado Merlo, sua atuação em favor da comunidade italiana e o projeto que me foi apresentado, confesso que fiquei entusiasmado e aceitei o desafio. Sabemos das dificuldades, mas a energia e confiança são tantas que não enxergamos obstáculos devido à clareza e objetividade das propostas.

Os pontos fundamentais da Lista Merlo são os mesmos que venho defendendo desde a campanha vitoriosa ao COMITES, sendo que podemos dividi-los em três blocos distintos, porém interligados:

1) JOVENS (acesso privilegiado à língua, cultura e esporte; cursos de formação profissional, estágios e intercâmbios; oriundos: inserção da grande massa de descendentes no ambiente cultural italiano, benefícios do Sistema Itália hoje e no futuro, também com o estímulo ao desenvolvimento de projetos para pequenas e médias empresas);

2) SOLIDARIEDADE ITALIANA (Programas sociais que beneficiem os italianos menos favorecidos; acesso a remédios e assistência sanitária aos mais velhos, como o cheque social já existente em outros países da América do Sul, menos no Brasil);

3) DIREITOS CIVIS (Reforma e otimização dos serviços consulares, diminuindo as exigências burocráticas e as filas para obtenção da cidadania italiana; aprovação da Lei Merlo em tramitação para os direitos de transmissão de cidadania às mulheres nascidas antes de 1948 e uma lei definitiva para o drama dos Trentinos);

Pretendemos desenvolver nossa campanha com comunicações diretas com os eleitores pelos diversos canais disponíveis, apoio da comunidade que conhece nosso trabalho e propostas; visitas e reuniões com nossos contatos pelo Brasil e até em alguns países da América Latina.

O que é mais interessante nesta fase inicial da campanha é que confrontando as propostas do Movimento Associativo Italiani all’Estero con Merlo e o nosso programa para o COMITES 2004, quando fui eleito, temos uma identificação perfeita. A idéia de levar este movimento de integração e de longo prazo a todo o continente sul-americano foi decisiva para apoiar a iniciativa.

Todos sabem que os votos do exterior foram decisivos para a formação do Governo Prodi. E a lei eleitoral atual não facilitou nada, dando muita importância aos partidos menores. O custo foi a queda. Falando dos políticos eleitos no exterior, era de se esperar acertos e erros pois tratou-se de uma experiência inédita, com grandes riscos. Posso dizer que o Merlo foi muito atuante, não se furtando às suas responsabilidades, superando qualquer expectativa. De qualquer modo, acho positivo, pois finalmente as discussões chegam mais vivas ao CGIE e aos COMITES e até à própria comunidade, mas ainda há muito que fazer.
Grande parte dos italianos no exterior não sabem o que está acontecendo e ainda serão necessários alguns anos até que os mesmos se acostumem com esta nova realidade. Creio na revitalização dos COMITES e do CGIE pois, com apenas 2 senadores e 3 deputados (na nossa circunscrição) muitos líderes capazes e preparados ficarão de fora, mas continuarão dando sua contribuição à política em seu território e com sua comunidade.

Uma das conseqüências da lista Merlo já está sendo sentida: houve uma grande surpresa junto às lideranças que se sentiam únicos postulantes à qualquer que fosse o cargo representativo da comunidade italiana, seja no Brasil ou qualquer outro país do continente. Todos falavam em “unir as forças”, mas isso somente se fosse em seu favor, sem risco de perder terreno. Nosso grupo propõe um Movimento Associativo em toda a América Latina, com as propostas que já foram explicitadas aqui. Trata-se de um projeto para o futuro, sem solução de continuidade na próxima eleição, que, para nós, será apenas uma etapa a ser superada. Ao contrário do que muita gente vem falando a respeito de divisão no Brasil para beneficiar a Argentina, lembramos que estamos falando de eleições ITALIANAS, e nosso movimento visa integrar os italianos do continente sul-americano e não dividi-los.

O Candidato Ricardo Merlo, eu, Luís Molossi e o colega Boscolo de São Paulo, candidatos à Câmara e os também candidatos ao Senado, Itamar Benedet (PR/SC) e Carlos Henrique Iotti (RS), contamos com vosso apoio, para que esta oportunidade histórica que o nosso movimento está dando aos italianos residentes no exterior seja aproveitada ao máximo, de modo a eleger o maior número possível de representantes à Câmara e ao Senado, lembrando que cada eleitor poderá, além de indicar a chapa que receberá seu voto, escolher duas preferências, isto é, dois candidatos a deputado e dois a senador.

Muito obrigado e até breve.

LUÍS MOLOSSI.