Propostas
Carta ao leitor – 16/05/2010
Cara leitora, caro leitor ítalo-brasileiro,
Desde criança sempre convivi com as Comunidades Italianas emigradas. Até os meus 15 anos, em Nova Bassano-RS, éramos uma grande comunidade vêneta (Vicentini/Bellunesi/Trevisani e outros) e nossa família, de outra menor, Lombarda (Cremonesi), mas sempre tivemos um convívio harmônico.
Depois, em Curitiba, muitos anos de estudo e formação profissional até que reencontrei a língua italiana, estudando-a a fundo até me tornar professor desde 2003, mesma época que obtive, sozinho, a cidadania italiana.
Com a intensa participação nas atividades culturais e movimentos associativos houve a oportunidade de participar das eleições para o COMITES em 2004, onde fui eleito com mais que o dobro de votos que imaginava receber dos eleitores do PR e SC.
Parte de minha família permanece do RS onde mantenho uma pequena propriedade rural de modo a nunca dissolver o vínculo com minhas origens. E o Carlos Henrique Iotti, que foi candidato a Senador Italiano na nossa chapa em 2008 é da mesma região que a minha, motivo do nosso imediato engajamento na campanha eleitoral e da nossa profunda amizade que nasceu deste importante evento para nós, italianos residentes no exterior.
Do COMITES e dos inúmeros contatos com a Comunidade Italiana do Paraná e em todo o Brasil surgiram amizades como o Itamar Benedet que sempre foi um parceiro leal, o Boscolo que conheci em uma assembleia vêneta, assim como Oscar de Bona e tantos outros representantes daqui ou da Itália que trabalham no movimento associativo e, por último, o Ricardo Merlo, que temos o orgulho de ter como único político italiano eleito na América Meridional em 2006 e 2008, não nascido na Itália.
A proposta de um Movimento Associativo Italiani all’Estero que envolve todo o nosso continente e com um projeto para os próximos 20 anos vem ao encontro de todos os meus ideais e me fez aceitar de imediato o convite para participar a eleição ao Parlamento Italiano em 2008, quando obtivemos 6.500 votos, ficando na suplência.
Somos um grupo de pessoas comprometidas com os italianos residentes no exterior e as ideias do MAIE são as que mais se ajustam às minhas a respeito da situação dos italianos aqui residentes. Por este motivo, mesmo tendo sido sondado por outros partidos, mas conhecendo o Deputado Merlo, sua atuação em favor da comunidade italiana e o projeto que me foi apresentado, confesso que fiquei entusiasmado e aceitei o desafio de ingressar e me tornar um dos fundadores do MAIE, participando ativamente da eleição parlamentar de 2.008. Sabíamos das dificuldades, mas a energia e confiança eram e são tantas que não enxergamos obstáculos devido à clareza e objetividade das propostas.
Os pontos fundamentais do Movimento Associativo Italiani all´Estero são os mesmos que venho defendendo desde a campanha vitoriosa ao COMITES, sendo que podemos dividi-los em três blocos distintos, porém interligados:
1) JOVENS (acesso privilegiado à língua, cultura e esporte; cursos de formação profissional, estágios e intercâmbios; oriundos: inserção da grande massa de descendentes no ambiente cultural italiano, benefícios do Sistema Itália hoje e no futuro, também com o estímulo ao desenvolvimento de projetos para pequenas e médias empresas);
2) SOLIDARIEDADE ITALIANA (Programas sociais que beneficiem os italianos menos favorecidos; acesso a remédios e assistência sanitária aos mais velhos, como o cheque social já existente em outros países da América do Sul, menos no Brasil);
3) DIREITOS CIVIS (Reforma e otimização dos serviços consulares, diminuindo as exigências burocráticas e as filas para obtenção da cidadania italiana; aprovação da Lei Merlo em tramitação para os direitos de transmissão de cidadania às mulheres nascidas antes de 1948 e uma lei definitiva para o drama dos Trentinos).
Pretendemos desenvolver nosso trabalho com comunicações diretas aos cidadãos ítalo-brasileiros pelos diversos canais disponíveis, apoio da comunidade que conhece nosso trabalho e propostas; visitas e reuniões com nossos contatos pelo Brasil e até em alguns países da América Latina.
O que é mais interessante é que confrontando as propostas do Movimento Associativo Italiani all’Estero e o nosso programa para o COMITES 2004, quando fui eleito, tivemos uma identificação perfeita. A ideia de levar este movimento de integração e de longo prazo a todo o continente sul-americano foi decisiva para apoiar a iniciativa.
Todos sabem que os votos do exterior foram decisivos para a formação do Governo Prodi em 2006. E a lei eleitoral não facilitou nada, dando muita importância aos partidos menores. O custo foi a queda. Falando dos políticos eleitos no exterior, era de se esperar acertos e erros, pois se tratou de uma experiência inédita, com grandes riscos. Posso dizer que o Merlo está sendo muito atuante, não se furtando às suas responsabilidades, superando qualquer expectativa, mesmo com as críticas de que não se consegue nada de concreto sendo minoria. De qualquer modo, acho positivo, pois finalmente as discussões chegam mais vivas ao CGIE, aos COMITES e até à própria comunidade, mas ainda há muito que fazer.
Uma grande parte dos italianos residentes no exterior não sabe o que está acontecendo e ainda serão necessários muitos anos até que os mesmos se acostumem com esta nova realidade. Creio na revitalização dos COMITES e do CGIE, pois, com apenas 2 senadores e 3 deputados (no nosso continente) muitos líderes capazes e preparados ficarão de fora, mas continuarão dando sua contribuição à política em seu território e com sua comunidade, como está acontecendo agora.
Uma das conseqüências do MAIE no Brasil está sendo sentida: houve uma grande surpresa junto às lideranças que se sentiam únicos postulantes à qualquer que fosse o cargo representativo da comunidade italiana, seja no Brasil ou qualquer outro país do continente. Todos falavam em “unir as forças”, mas isso somente se fosse em seu favor, sem risco de perder terreno. Nosso grupo propõe um Movimento Associativo em toda a América Latina, com as propostas que já foram explicitadas aqui. Trata-se de um projeto para o futuro, sem solução de continuidade na próxima eleição, que, para nós, será apenas uma etapa a ser superada.
Ao contrário do que muita gente vem falando a respeito de divisão no Brasil para beneficiar a Argentina, lembramos que estamos falando de eleições ITALIANAS, e nosso movimento visa integrar os italianos do continente sul-americano e não dividi-los. A fila da cidadania um dia irá acabar e, então, o Brasil será maioria na América Meridional, levando-nos ao lugar principal da discussão sobre as políticas para os italianos aqui residentes. Mas há muito para ser feito e temos que cobrar diariamente que sejam zeradas as filas de cidadania, para termos uma força correspondente ao número de imigrantes presentes no território.
O Deputado Ricardo Merlo, a Senadora Mirella Giai, eu, Luís Molossi e os colegas Bruna Spinelli, Claudio Pieroni e Gianni Boscolo de São Paulo, o Itamar Benedet, o João Andreata de Santa Catarina, o Carlos Henrique Iotti e o Helio Zanette do Rio Grande do Sul, contamos com vosso apoio, para que esta oportunidade histórica que o nosso movimento está dando aos italianos residentes no exterior seja aproveitada ao máximo, de modo a fortalecer sempre mais nossa presença no Brasil que agora é nossa pátria também, nunca esquecendo, porém, das nossas origens e tradições italianas.
Muito obrigado e até breve.
LUÍS MOLOSSI
Coordinatore MAIE PR