Champagne é Música Brega ou Chique?

11/07/2026


Peppino de Capri (1939 - 2026)

Originalmente, com piano e em italiano, ela não seria brega, mas no contexto cultural brasileiro ela se encaixa perfeitamente na categoria brega, funcionando como uma espécie de "brega de luxo" ou "brega internacional".

A música foi composta por Mimmo di Francia, Depsa e Sergio Iodice, em 1973, e pertence ao gênero da balada romântica italiana. No entanto, a forma como ela foi adotada no Brasil justifica essa classificação por alguns motivos claros: o sentimentalismo exagerado. O cerne da música brega é a exaltação do drama amoroso, da solidão, do abandono e da traição. "Champagne" traz exatamente isso: um homem bebendo sozinho no balcão, sofrendo por um amor proibido enquanto assiste à mulher amada com outro.

A Estética dos Anos 70 e 80: no Brasil, o consumo de música romântica italiana (como Peppino di Capri, Roberto Carlos em sua fase romântica, e a música cafona/brega) andavam de mãos dadas. Ela tocava nas mesmas rádios AM, churrascarias, motéis e serestas onde cantores do brega nacional faziam sucesso.

O Apelo Popular: o termo "brega" muitas vezes define uma música que atinge o gosto das massas sem o filtro da crítica intelectualizada. "Champagne" virou um hino de karaokês, festas de casamento antigas e fins de noite de boates tradicionais.

A diferença é apenas a "roupagem", como única barreira que separa "Champagne" de um brega clássico, de Waldick Soriano ou Reginaldo Rossi. Mas ela tem o verniz sofisticado: o piano clássico, o idioma italiano e a substituição da tradicional "cerveja no copo americano" por uma estilosa "taça de champanhe" servida pelo garçom.

No fim das contas, a dor de cotovelo é universal. Mudar o cenário de um botequim de esquina para um cabaré elegante na Ilha de Capri, de onde vem o nome artístico do Peppino (ou pequeno Giuseppe, Zezinho aqui no Brasil) não muda o fato de que a essência é puramente dor de cotovelo e sentimentalismo — as maiores marcas do brega brasileiro.

Me lembro de um show intimista da Mafalda Minozzi, em Curitiba, nos anos 2000 quando, depois das clássicas do pop romântico – e nem tanto – que ela sempre canta, misturando elegantemente composições italianas e brasileiras. Ao final, quando abriu para os pedidos do público, pois era um show pequeno, entre amigos, um deles, que, naturalmente, não vou citar o nome, pede efusivamente: “Champagne”!!!

E ela, sempre elegante, disse: “ – Vou cantar sim, mas vocês sabem do que esta música fala? Para certas ocasiões, com vossas esposas ou namoradas aqui não é apropriada...”

Isso não tira nem diminui a importância do cantor Peppino di Capri, ícone da música romântica italiana no mundo, morto hoje (11/07/2026), aos 86 anos de idade. Não será a pecha que “Champagne” possa ter que lhe ofuscará o sucesso mundial que conquistou.

Eu sempre preferi Robertaaa!

Luís Molossi

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